About me
Barquinho de Papel
Você já brigou feio com seu melhor amigo? Quem nunca. Um motivo tão pequeno que gera uma confusão tão grande, que faz com que anos de amizade acabem em alguns segundos, que fazem duas pessoas que se adoravam se odiarem, que pode concretizar o fim de uma verdadeira história de irmãos.
Meu melhor amigo acabou de sair do meu quarto, batendo a porta. Escutei ele batendo a porta da frente também, dessa vez eu tinha certeza, não voltaríamos a se falar, nunca mais.
O motivo? Ciúmes bobo, infantilidade, coisa de criança do jardim 3. Nossa amizade não era de anos, não fazia tanto tempo, mas o tempo que fazia já era o suficiente para eu o amar como um verdadeiro irmão. Eu não acreditei que teria acabado tudo entre nós.
Passamos bons momentos juntos, coisas que eu nunca vou esquecer. Será que isso tudo deveria ser deletado?
Deitei na cama, de cara no travesseiro e chorei. Era a pior sensação do mundo, como se algo de dentro do seu coração fosse retirado, deixando um buraco sem fim dentro dele.
Olhei para o criado-mudo ao lado da cama, estava ali uma prova concreta da nossa amizade, um pequeno barquinho de papel de bis. Eu os fiz por tédio, estava comendo meu chocolate e fazendo, mais depois de mostrar para meu melhor amigo, aquilo se tornou um símbolo da nossa amizade, somos apenas um barquinho de papel, navegando por um oceano de situações chamado de vida. Eu tinha um, e ele outro. Sempre o barquinho estava comigo, nunca tinha largado ele e agora estava ali, jogado sobre o criado-mudo. Nossa amizade afundou, o barquinho não resistiu ao mar agitado dos problemas.
Chorei mais ainda, não queria aceitar que tudo aquilo tinha acabado, não poderia ter acabado. Decidi ir atrás dele, falar com ele de novo, tentar arrumar as coisas para que tudo volta-se ao normal.
Peguei o barquinho de cima do criado-mudo, guardei com o maior cuidado no meu bolso. Sai de casa correndo, só gritei que já voltava. O caminho até a casa dele não era tão longe, uns vinte minutos eu já estaria lá, cara a cara com ele.Cheguei na metade do caminho, comecei a chorar, estava de frente para uma praça, local onde nós nos conhecemos, decidi ir visitar o nosso local favorito, lá íamos quando precisávamos desabafar, um com o outro, ou para chorar, nosso local da amizade. Era no meio de um bosque perto da praça, e tinha um lago no meio, lembrei de uma vez em que pulamos la, foi um dos melhores dias com ele.
Me vi no meio do bosque, de longe avistei o banco em que costumávamos sentar, decidi ir lá um pouco antes de seguir para a casa dele. Sentei no banco e fiquei olhando o lago.Olhei para onde tínhamos pulado, e perto da beira havia um barquinho de papel flutuando na água, um barquinho de papel de bis, o barquinho de bis que eu dei para meu melhor amigo. Ele não poderia ter jogado fora, ele não faria isso com o barquinho. Ele estava se afogando.
Imediatamente pulei na água, sem pensar em tirar minha roupa ou qualquer coisa do bolso. Não conseguia ver direito, a água não estava muito clara, mais consegui achar uma sombra, segurei ele em meus braços e nadei até a superfície. Consegui arrastá-lo para fora, será que já estava morto, não poderia estar morto.
Fiz força contra o peito dele, ele não poderia me abandonar. A água que ele havia engolido tinha voltado, ele virou a cabeça para o lado, estava vivo. Abracei-o com toda minha força, falei para ele nunca mais fazer isso, para ele nunca mais me abandonar, ele ainda meio afogado me disse: eu não suportaria viver sem você, eu te amo.